Em MG: projeto transforma alunos de escolas públicas em autores
Viabilizado pela Lei Rouanet, Escritor para o Futuro estimula leitura, escrita e criatividade por meio da produção coletiva de livros; em Nova Lima (MG), turma escreve histórias inspiradas na cidade
Uma maleta que circula entre a escola e a casa dos alunos, histórias sobre Nova Lima, antigas minas de ouro e um bicame fazem parte do universo criado por estudantes do 4º ano da Escola Municipal César Rodrigues, em Nova Lima (MG). Na faixa dos nove anos, crianças que ainda estão em processo de alfabetização e recomposição da aprendizagem vivem agora uma experiência inédita: estão escrevendo e ilustrando o próprio livro.
A escola integra a edição em andamento do Escritor para o Futuro (EPF), projeto viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, que prevê beneficiar 4.250 estudantes e 170 professores de escolas públicas em 13 cidades de cinco Estados brasileiros. Ao todo, serão produzidos 5 mil exemplares impressos dos livros desenvolvidos pelos alunos, além das versões digitais das obras.
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O projeto utiliza a produção literária como ferramenta pedagógica. A partir de planejamento didático e capacitação dos educadores, cada turma passa pelas etapas de construção do enredo e das ilustrações até chegar à produção coletiva de seu próprio livro. Ao final, as obras são publicadas e os estudantes participam de eventos de lançamento, com distribuição de exemplares para alunos, professores e bibliotecas das escolas participantes.
Na Escola Municipal César Rodrigues, os 20 estudantes da professora Lilian Lourenço estão criando “O ouro das palavras: nossa família e o segredo de Nova Lima”, narrativa construída a partir das descobertas da turma sobre o município e de conteúdos que já vinham sendo trabalhados em sala de aula.
Para a professora, a possibilidade de transformar as ideias das crianças em uma publicação concreta deu novo sentido ao processo de aprendizagem.
“Ver o entusiasmo deles ao perceberem que suas ideias estão virando um livro de verdade é transformador. O Escritor para o Futuro se conectou perfeitamente com um projeto pedagógico que já vínhamos trabalhando com a turma desde o início do ano e deu um propósito muito real para tudo o que estávamos construindo”, afirma Lilian.
A construção coletiva da história também abriu espaço para que os estudantes exercitassem a escuta, a organização das ideias e o respeito pelas contribuições dos colegas. “Sentamos juntos, ouvimos as ideias de cada um, fomos trançando as propostas e organizando a narrativa até chegar ao texto final. Desenvolver a leitura e a escrita nessa fase vai muito além da sala de aula. É dar voz a essas crianças, trabalhar a autoestima e mostrar que elas são, sim, autoras da própria história”, acrescenta a professora.
Quando o estudante passa a se reconhecer como autor
Para Vitória, de nove anos, a experiência ganhou um significado especial porque o resultado do aprendizado poderá ser visto e compartilhado fora da escola. “Eu me sinto orgulhosa e feliz porque, pela primeira vez, vou ser uma pessoa que escreveu e desenhou um livro. Vou ser escritora e ilustradora”, conta a estudante, que também destaca as descobertas sobre Nova Lima feitas durante o processo de criação.
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Já o Arthur percebe no projeto uma relação direta com o desenvolvimento da leitura e da escrita. “Participar da criação desse livro está sendo muito legal e emocionante. O projeto também ajuda a desenvolver a escrita e a leitura, porque aprendemos mais sobre as palavras”, afirma.
Entre as partes da história, ele destaca justamente os elementos ligados à memória do município. “A parte de que mais gostei foi a das minas de ouro, quando falamos sobre o bicame. Estou muito feliz por ser autor de um livro e por ver meu nome e meus desenhos publicados”, diz.
“A experiência da turma exemplifica uma das propostas centrais do Escritor para o Futuro: aproximar leitura e escrita do cotidiano do estudante, fazendo com que crianças e adolescentes deixem de ocupar apenas a posição de leitores para participar de todas as etapas de criação de uma obra”, explica André Belisário, sócio-fundador do EPF.
Projeto chega a 13 municípios de cinco Estados
Nesta edição, o Escritor para o Futuro chegará a escolas públicas de 13 municípios brasileiros, com patrocínio de bp bioenergy, Smurfit Westrock e Hevea-Tec.
Com a bp bioenergy, o projeto contempla Frutal, Itapagipe, Ituiutaba e Santa Juliana, em Minas Gerais; Itumbiara e Edéia, em Goiás; Dourados, no Mato Grosso do Sul; e Pedro Afonso, no Tocantins.
Com a Smurfit Westrock, a iniciativa chega a Três Barras, em Santa Catarina, e Antônio Olinto e São João do Triunfo, no Paraná. Já com a Hevea-Tec, o projeto contempla Jaci, em São Paulo.
Nova Lima, em Minas Gerais, integra a iniciativa com a participação dos três patrocinadores.
O projeto Escritor para o Futuro, PRONAC 2412347, é realizado pelo Escritor para o Futuro Ltda. e viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Sobre o Escritor para o Futuro
Criado em 2018, o Escritor para o Futuro é um negócio de impacto que desenvolve projetos educacionais, culturais e socioambientais para a educação pública. Por meio de metodologia própria, utiliza literatura, escrita, criatividade e inovação educacional para estimular o pensamento crítico e o protagonismo dos estudantes, conectando empresas, escolas e comunidades em iniciativas de impacto social. Saiba mais em: www.escritorparaofuturo.com
